Ford Kuga: areia nos olhos do Captiva, utilitário esportivo deverá ser fabricado na Argentina em 2011. Confira avaliação
Design típico dos novos Ford vai inspirar próxima geração do EcoSport
O
Ford Kuga não é exatamente uma novidade. Mas você não deve tê-lo visto exibindo esta placa preta da argentina. Aliás, vá se acostumando a associar o
Kuga e Argentina. Vamos logo dar uma boa notícia: a fábrica planeja fabricar o jipinho na unidade de produção em General Pacheco. No país vizinho, as razões para produzi-lo na região são obvias. O segmento de utilitário-esportivos segue em franca expansão, e o principal, o
Kuga compartilha a plataforma (C1) com o
Focus – embora tenham carrocerias diferentes, o hatch e o utilitário esportivo tem 70% de peças comuns. Ele será posicionado num patamar de preço entre o
EcoSport e o
Edge, ou seja, vai brigar com o
Chevrolet Captiva,
Honda CR-V,
Toyota RAV4 e
Hyundai iX35, entre outros.
Segundo fontes ligadas à
Ford o
Kuga poderia começar a ser feito no Mercosul em seis meses. Contudo, de acordo com os cálculos mais conservadores, ele deve chegar só em 2011. Mas nossa ansiedade não permitia esperar tanto. Fomos à Argentina, mas especificamente às praias de Pinamar, na província de Buenos Aires, para acelerar o modelo que começa a ser vendido por lá dentro de algumas semanas. Por enquanto, vindo da Europa.

À primeira vista, o
Kuga surpreende pelo visual. A estética deriva da filosofia do Kinetic Design, essa escola de desenho que ninguém da
Ford sabe explicar com palavras claras, mas que traz resultados muito atrativos. : basta recordar os novos
Mondeo,
S-Max e
Fiesta europeus. A dianteira é dominada por uma grande entrada de ar trapezoidal na parte de baixo, faróis estilizados e capô com vincos que dão ao Kuga um ar agressivo. De perfil, destacam-se as grossas molduras de rodas, a pequena saída de ar, a linha de cintura que se eleva até chegar à tama traseira e as rodas de aro 17. O primeiro modelo apresentado á imprensa argentina, em dezembro passado, tinha rodas de aro 19, com desenho mais bonito que as do carro das fotos. Mas essa roda não é oferecida nem como opcional, uma pena.
A parte traseira transmite solidez, reforçada pelo spoiler e pela dupla saída de escapamento. A tampa do porta-malas tem um sistema de abertura em dois estágios. O aspecto geral de robustez guarda seu segredo nas dimensões. Com 4.44 metros de comprimento, o
Kuga é o mais curto do seu segmento, mas, ao mesmo tempo, é o mais largo. Por dentro, o comprimento limitado faz com que o
Ford não possa ter uma terceira fileira de bancos. A Maior largura, porém, proporciona boa acomodação para os passageiros do assento traseiro. O porta-malas de 360 litros de capacidade (ampliado até 1.355l quando se rebatem os bancos) também é pequeno se comparado aos concorrentes. Para se ter uma ideia, o
CR-V leva 524 l e o
RAV4, 540 l .
Porta-malas pode ser aberto de duas maneiras
A lista de equipamentos do
Kuga Trend (com câmbio manual de seis marchas) é bem completa: tem freios ABS, controle de tração e estabilidade, air bags frontais e laterais, controlador de velocidade de cruzeiro e sistema de áudio da Sony com controle por voz. A versão topo de linha Titanium vem apenas com transmissão seqüencial de cinco marchas e agrega teto panorâmico de vidro (que não abre), ar-condicionado digital e sensor de estacionamento traseiro. O acabamento de couro é opcional, com bancos dianteiros que podem ser aquecidos. Embora divida com o
Focus diversos componentes internos – como o volante, o sistema de som e numerosos comandos - , há uma grande diferença na qualidade de revestimento das portas e do painel. No
Kuga, o plástico é mais agradável ao tato de de melhor qualidade. Mas vale lembrar que o modelo avaliado ainda é o europeu.
O motor 2.5 turbo é o mesmo utilizado no
Focus ST da Europa e em diversos modelos da
Volvo. Com comando variável e injeção direta, entrega 200 cv e 32,6 kgfm de torque entre 1.600 rpm e 4.000 rpm. A tração integral utiliza sistema Haldex, uma embreagem hidráulica multidisco que envia a força do motor ás rodas traseiras quando as dianteiras patinam. Se for necessário, antes de arrancar, 3% do torque podem ser enviados ao eixo traseiro – ideal para sair de um atoleiro. Diferente do
EcoSport, porém, no
Kuga não há opção de bloquear a divisão de tração em 50% para cada eixo.
Acabamento da versão europeia usa materias melhores que os do Focus argentino
A posição de dirigir é bom cômoda e elevada, típica de um utilitário esportivo. O volante regula em altura e profundidade. Se você acha, como a gente, que o
Focus tem a melhor dirigibilidade do segmento, então acredite: O
Kuga conquista o mesmo título. A suspensão e confortável, a direção eletro-hidráulica é muito precisa e na cidade o jipinho de move com agilidade, como se fosse um carro menor. Mas, assim como herdou do
Focus as virtudes, o mesmo podemos dizer sobre os descuidos, como o capô que só abre por fora (e com chaves) e o estepe fino, de uso temporário.
Durante o tempo em que andamos pelas Dunas de Pinamar, o
Kuga mostrou fôlego. A segunda marcha era suficiente para enfrentar os montes e escapar com facilidade das áreas com areia branca. Mas não se iluda: o
Kuga não é um veículo para correr rali Dakar. É um carro divertido para o trânsito urbano, tem potência suficiente para ser um grande estradeiro e cumprirá sem problemas os desafios de passeios familiares nas escapadas de férias. Importado da Alemanha e vendido na Argentina apenas nas versões mais caras, o
Kuga terá volume de vendas bastante limitado, diz o pessoal da
Ford. Quando feito em General Pacheco – com mais ofertas de motores e versão 4x2 – terá todas as condições de ser a referência no segmento.
